quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

30 anos de jornalismo!

Sim, eu cheguei aos 30 anos de jornalismo. Que alegria, que honra! Uma vida toda exercendo a profissão que eu escolhi ainda na infância. Quer dizer, não sei se escolhi. Desde pequena eu já dizia que seria repórter de tv... acho que nasci jornalista.  

Tenho o que celebrar? Sim, muito. Sou feliz e grata por toda minha trajetória. Em tv, minha paixão, estou desde o ano 2000. Passei por várias áreas, cobri enchentes, acidentes, incêndios, shows, manifestações, greves, enfim, muitas pautas nesses 30 anos. Foram muitas viagens a trabalho: Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Paraíba, Bahia, Brasília, Estados Unidos, Inglaterra...que delícia! 

E a paixão diminuiu? Não. Está mais prazerosa. Há 7 anos, migrei para o jornalismo agro. Passado o desafio de conhecer melhor a área, hoje posso dizer que vivo um ótimo momento porque consigo juntar o prazer que tenho pela reportagem, pelo jornalismo com a tranquilidade e o conhecimento que a experiência traz. Hoje quando chego em alguma gravação, após alguns minutos de conversa já consigo ter ideia para onde levar a gravação, a pauta flui melhor. Eu também sou editora e produtora das minhas reportagens especiais, consigo encaminhar a reportagem do jeito que idealizei. Não tenho preguiça em ouvir a sonora diversas vezes até encontrar o ponto ideal, reescrevo o texto quantas vezes achar que devo, sem pressa. Isso é maturidade, aliada a talento e vontade de fazer a coisa bem feita. 

Durante minha trajetória, recebi dois prêmios, um no ano passado. Mas eu costumo dizer que meu maior prêmio é estar na profissão há tanto tempo de forma tão prazerosa, sendo remunerada por exercer uma função que sempre sonhei ser.. repórter de tv! 

Eu acredito que a gente atrai o que joga para o universo. E eu acho que atraí coisas maravilhosas para minha carreira. Obrigada, universo! 

sábado, 13 de julho de 2024

Minhas mãos são assim, de trabalhadora!

Minhas mãos são assim, de trabalhadora! Foi com esta frase e mãos estendidas cheias de terra que a produtora rural Sandra me recebeu na propriedade dela em Mogi das Cruzes, na região metropolitana de São Paulo. Respondi que não tinha problema algum, afinal eu sabia que ela já estava trabalhando na terra desde cedo.

Eu fui até lá gravar uma reportagem para o dia das mulheres, celebrado em oito de março. Cheguei até ela por indicação de um outro produtor da região, que já entrevistei algumas vezes. Ela também me perguntou sobre a roupa, se precisava mudar. Perguntei, é assim que a senhora trabalha todos os dias? Ela disse que sim, e eu respondi, então é assim que vamos seguir, se não se importar, claro. Esse diálogo só fui entender o sentido depois, na gravação da entrevista quando ela me disse que já sentiu vergonha pelos olhares alheios quando ia vestida com as roupas que usa para trabalhar no campo fazer compras no comércio. Ela se emocionou na sonora e disse que hoje não se importa mais com esses olhares porque sabe o valor que a agricultura tem para a sociedade. "Eu me orgulho de poder levar o alimento na mesa das pessoas, isso não me incomoda mais"

obs - Era a minha terceira entrevistada do dia. Pouco antes já havia gravado com duas mulheres, mãe e filha, que ganham a vida produzindo alimentos. A jovem decidiu seguir os passos da mãe, que assumiu a lavoura depois da separação. Mesmo tão jovem já sabe o valor do campo. 



domingo, 18 de junho de 2023

Etarismo? Não nas TVs inglesas

Em férias na Inglaterra assisti muitos telejornais. Me chamou a atenção a quantidade de profissionais mais velhos, muitas mulheres, na frente das câmeras. Os cabelos brancos estavam ali, sem precisar esconder. As roupas nada chamativas, sem decotes. Roupas. Claro, há profissionais mais jovens, que bom, ótimo a mistura de gerações. Mas a experiência é valorizada na tv inglesa. O profissional mais velho não precisa sair do video porque a pele enrugou ou o cabelo mudou de cor. Vale a trajetória construída, a experiência conquistada com erros e acertos, a serenidade da maturidade. Ganha o jornalismo, a informação. 

Enquanto assistia pensava como poderia ser assim na tv brasileira. Não é. Torço para que um dia muito breve  esse padrão -  sei lá quem inventou - mude. 



sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

27 de janeiro

Domingo, meio-dia, meu celular toca. Estava de folga. Chefia de reportagem me ligando avisando que eu iria para Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Incêndio em uma boate com muitas vítimas. Às 14h carro passaria pra me pegar e levar para o aeroporto. Corri para arrumar mala, pegar roupas, caneta, bloco, documentos. 

Eu e cinegrafista embarcamos de Congonhas e seguimos para Porto Alegre. Lá, alugamos o carro e fomos até um hospital onde estavam algumas vítimas. Gravei um boletim, enviamos pra SP e pegamos a estrada até Santa Maria. Chegamos de madrugada. Ao amanhecer fomos até o velório coletivo. Nunca esqueci essa imagem. As vítimas todas muito jovens. A dor imensa dos pais, dos familiares. 

Segui para o "ao vivo" em frente à boate. Lembro de ter falado do silêncio. Naquela segunda-feira não se ouvia barulho de carro, de buzina, de pessoas. Nada. Silêncio enorme de uma cidade que não acreditava naquela tragédia. 

Nós enviávamos a gravação das matérias de uma lan house, que tinha uma internet melhor que a do hotel. Quem tomava conta era um jovem de 20 e poucos anos. Muitos amigos dele estavam na boate e morreram ali. Teve uma cena em que ele me aponta para uma porta, de uma também jovem, advogada. O escritório dela era ao lado. Ela estava na boate. 

E foi assim por vários dias, encontrando pessoas que conheciam ou eram amigas dos jovens que estavam la e morreram no incêndio. Era a dor, imensa, de uma cidade inteira. 

Na sexta, no vôo de volta pra SP havia muitas equipes de tv. Geralmente interagimos. Desta vez, não. Foi um vôo silencioso. 

242 vítimas, eu nunca esqueci esse número. 

sábado, 14 de janeiro de 2023

Eu construí a minha história: 28 anos de jornalismo

Todo mês de janeiro lembro do meu tempo de carreira. Foi em janeiro que comecei na profissão, num breve estágio que fiz num instituto de pesquisa. Foram apenas seis meses até eu migrar para o Diário do Grande ABC. Nunca mais fiz estágio. No Diário já tive na carteira o registro de repórter.

E agradeço ao universo por tudo que já fiz na profissão. Adoro contar as histórias que vivi ao longo desses anos e foram muitas. Algumas estão contadas aqui no blog (e continuo contando...).  

E agradeço mais ainda por continuar na reportagem, uma louca paixão. Me realizo na externa, na descoberta de histórias, na conversa com as pessoas. No agro é muito comum terminar a reportagem e as pessoas nos convidarem para um delicioso café. Eu costumo brincar que o agro engorda... é cada coisa boa que a gente experimenta. Doce de leite, bolos, pães, leite, sucos, carnes que nunca tinha ouvido falar na vida!!! Eu fiz uma série sobre queijos em Cunha, no interior de São Paulo. Quando terminei as entrevistas, a dona da casa me convidou para experimentar os queijos que a família fazia. Sentei e experimentei todos...um melhor que o outro. 

A carreira teve pontos ruins. Sempre terá. Tem falta de respeito, panelas eternas, assédio, muitas vezes velado. Depois de tanto tempo já nem dou trela pra isso, mas não significa que não estou atenta. Hoje percebo muito fácil e nas entrelinhas o que acontece ao meu redor. E quando acho que ultrapassa limites reajo. Porque já passei por muitas redações e tenho certeza que nunca é sem querer. 

Mas o meu foco nunca foi esse. Não vou desistir da profissão que escolhi por causa dos chatos que aparecem no caminho. Jogo para o universo e ele cuida disso pra mim. Meu foco é fazer o que considero uma boa apuração, um bom texto, uma boa reportagem. E assim sigo pra mais um ano, sorrindo e agradecendo!


domingo, 18 de setembro de 2022

Ele, cego, tocava nas flores para sentir como elas eram

 Estava gravando numa exposição de flores no interior de São Paulo. Eu já conhecia o local, havia gravado ali outras vezes mesmo antes de começar a fazer reportagens sobre agronegócio. É uma exposição linda de flores e ali é muito fácil encontrar pessoas que sejam apaixonadas por flores. E lá fui eu atrás de mais uma personagem assim. E eis que a vida me surpreende mais uma vez. 

Estávamos gravando numa parte fechada com vários arranjos belíssimos. De várias cores, tamanhos, modelos. Já havia feito algumas sonoras, todas muito interessantes, cheias de amor. Eis que de repente passam do meu lado duas pessoas e ouço o senhor falar: nossa aqui está muito frio e olha que cheiro delicioso. A mulher que acompanhava responde: ah vc já percebeu onde está. O diálogo me chamou a atenção e olhei. O senhor era cego e seguia guiado pela mulher. Pensei cinco segundos e resolvi abordar. Me apresentei, perguntei se topavam participar da minha reportagem. Aceitaram na hora. Chamei cinegrafista e gravamos. Eu já tinha entrevistas suficientes para o vt, não precisava de mais. Mas uma palavra que não existe no meu vocabulário é "preguiça". E valeu muito a pena.

Ele tocava nas flores para sentir o que estava ali na frente. Me contou que enxergou até os dez anos de idade e sabia como eram as flores. E finalizou dizendo que estava muito feliz por estar ali. Eu fiquei mais ainda, por presenciar aquela felicidade.  

domingo, 1 de maio de 2022

Falta uma cobertura internacional... não, não falta!

Por esses dias, um cinegrafista da tv me disse: Renatinha, sabe o que falta pra vc? Uma cobertura internacional. Respondi na lata: não, não falta. Já fiz várias. Ele ficou surpreso, claro.

Eu não costumo fazer marketing do meu trabalho, vou lá e faço e o que me pedem. Mostro na prática quem eu sou. Mas gosto de contar histórias, se alguém me pergunta, eu falo, afinal tenho muitas. Na tv o pessoal brinca quando eu começo a falar... senta que lá vem história...

Minha primeira viagem internacional a trabalho foi em 2007 na rede Mulher (grupo Record). Fui para Las Vegas cobrir um seminário de odontologia. Eu e o câmera ficamos uma semana lá gravando. Fizemos vts sobre Las Vegas, gravei numa wedding chapel (consegui autorização na hora). Era um casal norte-americano que estava renovando os votos de casamento. E pra nossa sorte, havia um Elvis Presley cover. Sim, porque a cidade ficou muito famosa quando Elvis e Priscila casaram-se em Las Vegas. Foi sensacional. A reportagem está no meu canal do youtube. Las Vegas, cidade com casamentos, cassinos e Elvis Presley - YouTube

Nesta mesma viagem gravei o Grand Canyon, um ponto turístico sensacional dos Estados Unidos. Neste local tem a sky walk, uma ponte de vidro sobre as montanhas. A reportagem também foi ao ar no Domingo Espetacular da Record. 

E tem mais... no mesmo ano, em julho, foi para Disney pela revista Atrevida. Fiquei 12 dias registrando o passeio de uma jovem (com a mãe, mais um grupo de 30 pessoas) que ganhou uma promoção da publicação. A viagem caiu no colo. Uma amiga que trabalhava na revista me ligou na terça. Re, vc pode ir quinta para os EUA? Posso. E foi assim, no susto, que embarquei para uma das experiências mais incríveis da minha vida. E lá fui eu correr atrás dos personagens para bater fotos. Afinal, eram a Branca de Neve, Pluto, Mickey ali na minha frente. Muito real.

Em 2012, já na rede TV, fui para Inglaterra gravar os 50 anos do personagem James Bond. Entrevistei o o doce ator Roger Moore, o divertido galã 007. E o simpático Chris Corbould, diretor de efeitos especiais dos filmes. A gente senta na frente deles e tem cinco minutos para fazer as perguntas. Nada além disso. Terminou, lá vem outro jornalista de algum canto do mundo. Dirigi o Aston Martins original do filme e o veículo do ano, 2012. Um instrutor nos acompanha. E ele mandou acelerar a 250 km por hora pelas estradas inglesas.... eu só obedeci! Eu dirigi um Aston Martin, o carro de James Bond!!! - YouTube

Depois de contar para o câmera as minhas experiências internacionais, uma querida estagiária que estava ao lado disse: Re, eu não sabia!!! Tomara que eu tenha tudo isso pra contar também. 

Terá querida, terá. Basta não ter medo e acreditar em você. Sem medo de ser feliz!



quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Respeita minha história

Respeita a minha história! Esse é meu slogan, adotado ja algum tempo. Cheguei aos 27 anos de profissão, 27 anos de jornalismo, a maior parte na reportagem. Tudo começou la em 1995, terceiro ano de faculdade. Meu primeiro emprego na área. 
Nunca mais parei. Ainda bem! Costumo dizer que tenho uma carreira abençoada. Fui dispensada algumas vezes, mas sempre me levanto. Não desisto do meu sonho, sim, o sonho de menina em ser repórter de tv. 
Chego em 2022 realizada. Faço o que gosto, sou remunerada por isso e ainda apareço na tv...rsrs...
Só que a diferença agora é que as coisas saem mais fáceis. Não, não baixei a guarda na checagem de informações. Continuo com mesmo rigor de sempre, pra tentar não errar. Só que agora o texto sai mais fácil, as sacadas surgem mais rapidamente na cabeça. E continuo com o mesmo prazer de antes. Não tenho preguiça pra trabalhar. Outro dia na tv, falei. Ai que preguiça... uma colega cinegrafista de estúdio me disse: vc com preguiça? Respondi... é verdade, essa não sou eu. 
A cada reportagem vivo uma aventura, um novo papo, uma nova amizade, nova risada, novo conhecimento (agora no agro principalmente), tenho uma nova história para contar. E que delícia poder fazer isso todo dia! Agradeço ao universo por esses 27 anos. Não é pra qualquer um. Não foi tudo um paraíso, mas na dificuldade, na raiva, no desânimo, na decepção, eu pensava no sonho da menina... vou deixar de fazer o que gosto por causa dos outros? Não... 
Outro dia postei uma foto no Instagram de tempos atrás, um amigo do início da carreira, hoje já em outra profissão, me disse: vc é guerreira, não desistiu mesmo. Respondi, não, eu não desisto. Por isso, sempre digo, respeita minha história!  

domingo, 28 de novembro de 2021

Deadline do Agora SP

Esta é a última edição do Agora SP. O recado tá ali no canto direito no alto da capa. Uma história que ajudei a construir há 22 anos.

Trabalhei lá entre 1998 e 2000. Fiz parte da equipe que participou da criação do jornal (antes, Folha da Tarde). Alguns domingos fora do plantão para fazer os pilotos do Agora SP. O nome era guardado a sete chaves. A gente só sabia que viria um novo jornal por aí.

Durante dois anos trabalhei doze horas por dia, inclusive fim de semana. Sexta-feira era dia de pescoção, ficar até de madrugada pra fechar o jornal de domingo. Era exaustivo. Mas tava começando a carreira, então, vamos lá!

Fiz muitas e muitas reportagens. Cobri as grandes missas do Padre Marcelo. Fui eu que revelei que o padre precisaria entregar o galpão onde celebrava as missas e ficaria um tempo sem lugar para receber tantos fieis.  Também cobri chacinas. A primeira com 12 mortes. Nem sabia por onde começar, mas encarei. 

Cobri o tiroteio no shopping, o rapaz que atirou nas pessoas que estavam no cinema. Trabalhei também no caso do maníaco do parque. Estava lá na coletiva  (sim acreditem, coletiva!) quando ele foi preso.

Acordei de madrugada para muitas manifestações, greve de ônibus, greve de metrô, enchentes, reportagens sobre comércio ambulante, acidentes de trânsito, entrevistei minha dupla querida - Zezé e Luciano- muitas e muitas vezes. Outro dia o Zezé me disse que lembrava de mim novinha com bloco na mão anotando o que ele falava...foi pelo Agora que cobri o primeiro dvd ao vivo da dupla. 

E tudo isso numa época que celular não era acessível. Eu não tinha. Usava o orelhão para falar com a redação.

Era um jornal acessível, preço baixo. O cobrador do ônibus que eu pegava pra chegar na Folha, na rua Barão de Limeira, lia o jornal todo dia. Mas nunca falei que trabalhava lá. De vez em quando espiava pra ver se ele tava lendo a minha reportagem. Sim, estava. Ficava toda orgulhosa.

Pena que esta história termina hoje, 28 de novembro de 2021. Deadline do Agora SP.


*Deadline é uma expressão usada no jornalismo para definir o prazo final que temos para entregar uma reportagem.

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

A cabra comeu o microfone


A cena foi muito rápida. Não deu tempo de perceber, nem de salvar o fio do microfone.

Estávamos gravando num sítio em Cabaceiras, interior da Paraíba. Produção de leite de cabra. Os animais são curiosos, ficam olhando pra gente. Certeza que gostariam de perguntar o que a gente estava fazendo ali. Bati várias fotos e em todas tem alguma cabra olhando pra câmera. E toda hora elas tentavam pegar minha caneta da mão. 

Na hora da entrevista, o cinegrafista pediu que o produtor ficasse no meio das cabras, dentro da baia. O produtor estava com microfone de lapela, aquele pequeno que colocamos na roupa do entrevistado.

Sonora seguia normalmente, até que cinegrafista interrompeu: estamos com alguma interferência no áudio. Foi aí que olhei pra cabra e disse: tá ali a interferência! O fio do microfone estava na boca dela...

A danada se aproximou sem ninguém perceber e abocanhou um pedaço do fio que ficou pra fora da cintura do entrevistado. Opa, pensou ela, que é isso aqui? Eu quero! 

O produtor tentou tirar, mas o estrago já estava feito. Fio destruído.

O engraçado foi ver a cabra com o fio na boca olhando pra gente...

Engraçado e desesperador, claro, pelo equipamento perdido. 


domingo, 15 de agosto de 2021

A tal da variabilidade espacial

Eu e o cinegrafista viajamos até Nova Mutum, Mato Grosso, para acompanhar o dia de campo organizado por uma fundação que fazia pesquisas sobre a soja. Dia de campo é um encontro para produtores, em que eles conhecem novas sementes, produtos, pesquisas, trocam experiências com profissionais e outros produtores. 

Enquanto cinegrafista fazia as imagens da fazenda, eu fui andar para ver o que estava sendo apresentado. Eram várias tendas, com cerca de 10 cadeiras cada, com palestras dos pesquisadores. Em uma delas vi uma placa: variabilidade espacial. Pensei, o que será isso?

Curiosa, sentei entre os produtores e comecei a acompanhar a fala do pesquisador. Achei sensacional. Cada vez mais fui me interessando sobre o assunto. E na hora que abriu pras perguntas, levantei a mão várias vezes.... Não sou produtora rural, mas estava encantada pelo tema, queria saber mais e mais. Não foi curiosidade de jornalista, não. É que o assunto era bom mesmo. Queria entender aquilo de verdade.

Me lembro de pensar, depois da primeira explicação, ah, essa é a tal da variabilidade espacial... 

Resultado: decide fazer uma reportagem sobre isso. Mandei mensagem para o cinegrafista, ele foi ate lá e gravamos com produtores e pesquisador.

Variabilidade espacial é variação que há na terra, em cada talhão pode haver necessidade de aplicar alguma vitamina, ou que a cultura se desenvolva mais por aquele pedaço do solo ser melhor. Claro, no meu pequeno conhecimento sobre isso...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Cem anos de Folha. Que honra, eu trabalhei lá!

 Surgiram várias postagens nas redes sociais comemorando os 100 anos da Folha. Depois de um tempo é que me dei conta. Eu também estava lá. Que honra! Foram dois anos, entre 1998 e 2000. Entrei lá aos 24 anos. Vi um classificado na Folha da Tarde sobre uma vaga para repórter de Show, o caderno de variedades. Mandei currículo, fui chamada para entrevista, fiz um teste, mas não fui chamada para essa vaga. Um mês depois surgiu uma vaga em Geral, me chamaram, e aceitei. E encarei os desafios que vieram pela frente. Chacina, enchente, manifestação, paralisação de ônibus. Não foram poucos obstáculos, mas era uma realização pessoal. Era aquilo que sempre sonhei. Repórter! Eu amava! E aprendia na prática. 

Em 1999 a Folha da Tarde deu lugar ao jornal Agora São Paulo. Fiz parte da equipe de transição, alguns plantões escrevendo para o novo jornal, horas a mais trabalhadas. Talvez tão jovem não imaginasse a importância daquele momento, mas eu seria testemunha de uma história. De um novo jornal que surgia no mercado. Tenho um carinho enorme pela publicação, por tudo que fiz lá. Foram muitos plantões, muitos pescoções (na sexta trabalhava até de madrugada para fechar edição de domingo), coberturas cansativas, difíceis, tristes, outras divertidades, prazerosas. Era com a reportagem, com o jornalismo, que chegava perto de Roberto Carlos, padre Marcelo Rossi, Zezé Di Camargo e Luciano. Ah, quantos shows! Eu era de geral, mas como o mundo sabia que eu fã deles, sempre era escalada para cobertura. E naquele época eles faziam até duas temporadas por ano. E estava lá. Assistia o show e depois, camarim para entrevistar os ídolos. Outros dia recente, num show, o Zezé até me disse que lembrava de mim, menina, com o bloquinho na mão anotando tudo que ele falava. Foi com o jornalismo que passei a conhecer prédios históricos que nem sonhava que existiam. Como o castelo onde funcionava a prefeitura na época. Lindo, lindo. Eu adorava quando tinha coletiva do prefeito, só pra entrar no prédio de novo. 

Foram tantas reportagens, tantas entrevistas, tantas coberturas. Foi uma escola, e que escola. Sou a profissional que sou hoje, com olhar apurado, com saída para as reportagens com o que aprendi lá. Só tenho a agradecer pela oportunidade. E sempre agradeço ao universo, sou uma pessoa de sorte, uma jornalista de sorte! 


Demorou, mas saiu. E foi um sucesso!

No início de 2020, conversando com algumas fontes, recebi dica sobre fazer uma reportagem sobre produção de queijo em Cunha, no interior de São Paulo. A ideia era mostrar a batalha dos produtores para conseguir o selo de autorização de venda fora do município. Ao apurar para o vt, percebi que dava pra fazer uma série sobre queijos, afinal, o município tinha muitas queijarias. Veio a pandemia e atrapalhou meus planos. Mas não desisti. 
Começo de 2021, lá vou eu falar com chefia de novo... consegui autorização, avisei produtores, marquei entrevistas e lá fui eu gravar. Eu e o cinegrafista Paulo. 
Passamos uma semana por lá conhecendo histórias, motivos da produção, lutas de cada família. Todas muito interessantes. 
A série foi ao ar semana passada, e hoje recebi retorno do pessoal de Cunha. Foram mais de 12 mil visualizações nas redes sociais, vários compartilhamentos, muitos retornos positivos. E o que é melhor: a prefeitura decidiu montar uma comissão de queijo para auxiliar os produtores a obterem o selo de autorização de venda fora dos limites do município. Que alegria!!!!!!! É isso que vale a pena. Resultado! 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Eu sou do agro!

 

Outro dia apareceu no Instagram aquele desafio de postar uma foto e dizer que representava fazer parte do agronegócio. Aí lembrei um pouco do início da minha trajetória no setor. Já fazia algum tempo que vinha tentando em trabalhar nas tvs do agronegócio. Fiz algumas entrevistas, e sempre me perguntavam se eu já havia feito reportagens sobre agronegócio. Respondia que sim, mas nada tão específico como se faz em mídias do setor. 

Até finalmente encontrei um profissional - gerente da tv na época - que me contratou pelo meu curriculo, pela experiência que tinha. Ele me disse isso depois. Eu não o conhecia. Mandei meu currículo por email, disse que está procurando vaga na reportagem. Ele respondeu que tinha uma vaga para cobrir licença maternidade e me chamou para entrevista. Dias depois, me chamou para a vaga. 

Seis meses depois, terminou a licença, a pessoa voltou, mas abriu uma outra vaga e eu fui contratada. Com o tempo, me adaptei a linguagem, aos assuntos e passei a conhecer melhor os pesquisadores, entrevistados, líderes de setor e produtores rurais. As matérias foram fluindo mais. Mas no início ouvia muito a pergunta, em especial de alguns colegas, vc é do agro? Não sou do agro, mas sei perguntar....A pergunta, confesso, me irritava um pouco.

As questões técnicas vão ser respondidas pelos zootecnistas, engenheiros agrônomos, produtores, pesquisadores etc. São eles os especialistas. É o que basta. Claro, que sempre pesquisei muito sobre o assunto que iria gravar. Até hoje faço roteiro para entrevistas ao vivo pq considero importante ter uma sequência clara de raciocínio. Se o entrevistado fala algo interessante, complemento o que já questionei. Mas continuo achando que não precisa ser tudo tão radical. Mesmo porque os colegas (e eu) continuam não sendo especialistas do agro, afinal, fizemos jornalismo. O importante é adaptar o olhar para o público do canal, mas isso se faz em qualquer segmento. Quando trabalhei num canal especializado no público feminino, lá escrevia com esse olhar. Simples.

Mas encerro este texto como na postagem do Instagram. Depois de dois anos e meio, agora posso dizer... Eu sou do Agro!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Mais respeito, por favor!

Fazia tempo que queria voltar a escrever no blog... mas o tempo vai passando, passando. Mas resolvi escrever hoje depois que uma querida colega jornalista me contou que dois homens denunciados por ela em uma reportagem sobre fraudes estavam se comportando. Em depoimento à polícia, eles tentaram desqualificar o trabalho dela, alegando que ela era bonita e por isso a ajudaram. Enfim, isso me fez lembrar uma cobertura que fiz há uns cinco anos de uma competição de estudantes do ensino técnico.
Eram duas equipes. Eu como repórter em uma equipe. E um rapaz na outra. Nosso trabalho era fazer reportagens de um minuto. A competição tinha várias modalidades. Cada uma funcionava num espaço delimitado. Só professores, juízes, orientadores e competidores podiam ficar ali. Para entrevistá-los era preciso chamar o coordenador e combinar o horário exato para entrevista. E para falar com os competidores, somente nos intervalos, de café ou ida ao banheiro. Quando chegava no local, chamava o coordenador, explicava o meu trabalho. Todos me deram entrevista. Foram 24 reportagens de um minuto em quatro ou cinco dias de competição.
Em um desses dias, voltamos para a nossa base ali na competição, e o outro repórter disse... "Tá difícil falar com os competidores. Ninguém quer dar entrevista". Respondi: "eu tenho conseguido. Em todas as modalidades consegui alguém pra falar".
Pra minha surpresa e decepção, claro, o dono da produtora vira e fala. "É mulher, né. Os caras falam". Não acreditei no que ouvi e isso martela até hoje na minha cabeça. O meu talento e a minha forma correta de abordar os entrevistados não contam? Que absurdo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Lado secreto...o câmera de helicóptero que sabe cantar!


Eu conheci o Marco na emissora de Osasco. Trabalhávamos juntos no helicóptero. Eu como repórter, ele como cinegrafista e operador de áudio. Lá do alto vivemos muitas aventuras, aguentamos calor, chuva, tempestades, ventos.... conhecemos vários cantos da cidade de São Paulo e relatamos muitos fatos ao vivo. Testemunhas oculares de vários acontecimentos: enchentes, acidentes, trânsito, manifestações. Era uma vista privilegiada!
Me lembro até hoje quando vi o Playcenter. Tão pequeno.... e quando era criança achava aquilo imenso! E o Parque Ibirapuera lá de cima? Muuuito lindo.
E entra uma entrada ao vivo e outra, batíamos papo. E numa dessas conversas, descobri que o Marcos é cantor e compositor. Uau! Quase uma identidade secreta....rsrs..
Ele me deu um cd de presente, muito bom, garanto. Agora, ele tenta focar na carreira. E pra isso pretende lançar um novo trabalho. Está com uma campanha na internet para arrecadar a verba necessária. Quem puder e quiser ajudar segue o link do kickante. Na página estão os links de algumas gravações. Vale a pena ouvir! Experimente!



https://www.kickante.com.br/campanhas/projeto-nus

sábado, 7 de janeiro de 2017

O conselho que acabou em adoção!

As histórias da reportagem vão surgindo aos poucos na memória. Um fato, um acontecimento, uma palavra, um gesto de alguém me faz reportagem daquela reportagem, nunca esquecida, sempre guardada em algum lugar da memória. E foi assim numa festa de criança.
Estava eu no aniversário de dois anos do filho de uma querida amiga. A conheci na rede Mulher, era editora e produtora. A certa altura da festa, ela me leva até a tia. "Re, lembra dela? Você gravou com minha tia sobre adoção de crianças."
Puxei na memória e lembrei até o bairro onde ela mora. Faz mais de dez anos. E qual foi minha surpresa quando ela me apresentou um menino pré-adolescente. "Quero te apresentar o meu filho. Eu adotei logo depois que você foi lá em casa". Que surpresa deliciosa!! Infelizmente não lembro agora quantos anos o menino tinha quando foi adotado, mas já era maiorzinho.
Eu estive na casa dela para gravar uma reportagem sobre adoção de crianças. O casal falou sobre o desejo de adotar, mas lembro que eles queriam um bebê. Como já tinha feito outras matérias sobre isso, conversado com especialistas e conhecia a situação dos abrigos, aconselhei: "se abrir o leque, há crianças maiores procurando uma família. Garanto que seria uma felicidade imensa para os dois lados. E o tempo de espera será bem menor" Quem visita uma casa de acolhimento não esquece o olhar das crianças maiores, na esperança de serem adotadas.
E ao ver o menino ali na festa, alto, bonito, feliz, educado e carinhoso com os pais tive a certeza de que o que o meu conselho valeu a pena. "Ele é nosso companheirão", me disse a mãe orgulhosa.
E toda vez que lembro dessa história, abro um sorriso. Inevitável.





quinta-feira, 26 de maio de 2016

Descobrindo o poder da máquina de lavar roupa

Entre 2010 e 2013 a "moda" no jornalismo eram as matérias sobre a ascensão da classe C, a chamada nova classe média. Ainda bem! Isso significava que mais pessoas tinham uma vida melhor. Podiam ter tv a cabo em casa, computador, um smartphone, viajar de avião, e, principalmente, fazer uma compra melhor no supermercado. Parece comum para algumas pessoas, mas para outras poder comprar bolacha recheada (ou iogurte) era sim uma novidade. Era gostoso ir no supermercado gravar com as pessoas e elas, felizes, mostrarem as guloseimas no carrinho.
E foi numa dessas reportagens que eu descobri que o sonho de consumo da classe c era a máquina de lavar. As famílias já tinham comprado uma tv melhor, uma geladeira maior, um sofá novo, renovado o aspirador de pó. Faltava largar o tanque. 
Fui até uma loja popular, e já dei de cara com uma senhora escolhendo a máquina de lavar. Depois de muitos anos, ela finalmente ficaria livre do tanque que estragava suas unhas. Lembro bem da frase dela. "A minha unha nunca fica em ordem porque tenho que esfregar a roupa no tanque". Ela também reclamou do tempo perdido na frente do tanque. A máquina lhe daria mais liberdade, já que faria o serviço por ela.
A personagem eu já tinha. Faltava agora complementar o vt. E conversando com o vendedor, descobri que as máquinas tinham virado as estrelas das lojas populares de eletrodomésticos. Antes, elas ficavam no fundo, escondidas, esperando por algum comprador. Com a chegada da nova classe média, elas foram pra frente das lojas, ganharam destaque merecido. Eu lembro da minha surpresa com essa descoberta. Fui pra frente da loja e confirmei. Só tinham máquinas de lavar, vários modelos, vários preços, vários tamanhos. 
A minha entrevistada, ainda bem, fechou a compra e foi embora com um sorriso, com uma felicidade contagiante. E me disse. "Finalmente tô livre!". Ah, e reparei nas unhas. Compridas, vermelhas! 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A médica sumida apareceu....

Um cinegrafista me mandou uma mensagem esta semana. "Re, lembrei de você naquele dia no hospital, lembra? Você fez a médica aparecer em cinco minutos...", riu em seguida.
A reportagem era sobre um boneco usado pelos médicos de um hospital infantil público para explicar `as crianças internadas o que iria acontecer com elas. Os bonecos ficavam como soro no braço, ou com outros aparelhos. Assim, os pequenos não ficavam tão assustados quando voltavam da sala de cirurgia ou precisavam de soro durante a internação.
Tudo transcorria bem. Conversei com os pais, com as crianças, o médico que criou o boneco... mas e o pediatra? Queria saber da importância disso para a cabeça das crianças, e um pediatra seria o ideal para falar sobre isso. O hospital tinha duas pediatras. Mas a pediatra da tarde não estava ali naquele momento....
Aí questionei da assessora.
- Quantas pediatras têm aqui no hospital, na coordenadoria?
- Duas, respondeu assessora.
- Uma para manhã, outra pra tarde?
- Isso...respondeu a assessora já meio sem graça.
- E onde está a da tarde? Quero falar com ela.
- Vou ver onde ela está....
Eu não sei se a pediatra estava no hospital ou tinha dado uma escapada. Acredito muito nessa segunda hipótese, porque se estivesse em alguma emergência certeza que a assessora teria falado rapidamente. Quarenta e cinco minutos depois ela apareceu toda ofegante. E me deu a entrevista, que complementou o vt. No carro, o Alexandre disse... "ahahhaha, Renatinha causando no hospital. A médica apareceu num passe de mágica", disse rindo muito.
E vale uma observação do que vi ali. Enquanto esperávamos pela médica, o Alexandre alegrou o dia de um menino de 10 anos. O pequeno estava internado ali e passava os dias quase que sozinho. A familia não tinha dinheiro para visitá-lo todos os dias. Que triste...
Alexandre não teve dúvida. Ficou jogando bolo com o menino no corredor do hospital. A criança estava tão feliz que dava gosto de ver.
Não tive pressa em voltar pra tv e nem esquentei por esperar tanto tempo pela médica. Nada é por acaso...

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Sabe o que é audiodescrição? Leia. Vai descobrir e chorar!

A gente até sabe o que é audiodescrição - transformar o visual em palavras. Mas nessa reportagem o que interessava não era o significado e sim a emoção que um simples recurso de acessibilidade provoca na vida de quem não enxerga.
A pauta era mostrar que o Sesi SP promove a inclusão no teatro. No plateia parte do público não enxergava, mas poderia acompanhar o que acontecia no palco com ajuda da audiodescrição. A querida Livia Motta traduzia tudo o que acontecia no musical, cor de cenário, movimentos dos personagens, expressões do rosto, os figurinos. Os cegos ouviam tudo por um fone de ouvido, aparelho igual ao de traduções simultâneas.
Eu nunca tinha acompanhado uma peça com audiodescrição. Curiosa, coloquei o fone de ouvido e fechei os olhos. Perfeito. Com o que ouvia, conseguia imaginar as cenas.
Depois, voltei minha atenção para os cegos que acompanhavam a peça. Fiz questão de sentar perto deles. E fiquei admirada com o que vi.
Eles prestavam atenção nos diálogos, riam com as piadas, admiravam as canções e se emocionavam. Viva a acessibilidade!
Na saída, corri para entrevistá-los e para minha surpresa, muitos sairam chorando. Seu Dalmir, um senhor de 70 anos, cego por causa de diabetes, estava emocionado. Era a primeira vez que conseguia entender um musical.
Quero ser audiodescritora!!

Se quiser ver a reportagem, segue o link.
https://www.youtube.com/watch?v=65HecKTIIvs