quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Quem sabe faz ao vivo!!

Eu adoro entrada ao vivo. É fácil? Nem sempre... mesmo depois de tantos anos, `as vezes, a mão insiste em tremer, fica suada, o coração dispara. Ah, mas como eu gosto...
O primeiro "ao vivo" foi na época da TV Diário. Era produtora. O jornal teria uma entrevista ao vivo, mas o auxiliar iria segurar o microfone. O apresentador faria as perguntas. Quando soube disse, me ofereci para fazer o link. Deixaram e lá fui eu. Fiz maquiagem e encarei o desafio. Que delícia!!!O ao vivo tem suas aventuras e é preciso sair das enrascadas. Certa vez, entrevistando um bombeiro, havia um painel com informações sobre botijão de gás. Na hora da entrevista, o vento joga o painel pra cima da gente. O bombeiro estava de costas e eu de frente, percebi e consegui segurar com uma mão e na outra o microfone. Continuamos a entrevista como se nada tivesse acontecido...
Numa outra vez eu estava na marginal Pinheiros para falar sobre o trânsito. O câmera, que estava sem o fone de ouvido, não percebeu que a apresentadora me chamava.... eu já sabendo que estava no telão, no ar, não podia avisá-lo e só me restou começar a falar. E a câmera parada ali no tripé... Ele e o auxiliar olharam quando me ouviram falar e entenderam o que estava acontecendo.... o câmera delicadamente e em apuros conseguiu tirar o equipamento do tripé e fazer o movimento para o trânsito. Ufa, que sufoco!!!
Numa feira, eu falava sobre frutas e legumes. A berinjela estava na minha frente, mas não sei porque falei beterraba. A entrevistada falou baixinho, é berinjela! Eu fiz a entrevista e no final, meio que rindo, fiz a correção.
Mas pior foi numa feira. Ainda bem que era um piloto, não foi ao ar. Estava falando do preço dos alimentos em geral. E tinha visto o preço do maracujá, iria falar sobre ele. Na hora do "valendo" fui de uma banca pra outra e quando cheguei na banca da fruta não achei o maracujá. O feirante tinha tirado porque a feira já estava no final... Eu olhei e pensei, "ué, cade o maracujá?" A saída que arrumei na hora foi falar do preço da fruta ao lado, que detalhe, não consegui identificar...rsrs. "essa fruta aqui, tá 30 reais o quilo". Acontece!!

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ao mestre, com carinho!

 Este fim de semana fiquei sabendo da morte do jornalista Roberto Hirao, de 68 anos. Uma dor no coração...
O Hirao tem participação especial na minha carreira. Eu o conheci em 1998 durante a seleção para a Folha da Tarde (que deu lugar ao Agora São Paulo). A vaga para o caderno de variedades foi publicada nos classificados da Folha. Mandei currículo e foi ele quem selecionou. Na entrevista, me recebeu muito bem, foi simpático. Durante o papo, ele confidenciou que já tinha morado na minha rua.
Um mes depois, eu fui chamada para uma outra vaga, em geral. Comecei a trabalhar e passei a conviver com aquele jornalista que tinha muita história pra contar. O Hirao tinha mal de parkinson e a doença já dava sinais. Mas ele continuava firme, trabalhando, orientando, fazendo o que gostava. E tinha um texto maravilhoso!!!
No meio da turbulenta chefia da época, ele era o ponto da calmaria, do aconchego. Orientava sem gritos, com calma, conselhos sábios, que a menina de 24 anos gostava de ouvir e seguir. E ele ouvia com paciência a jovem foca animada com suas aventuras. "Hirao", eu gritava na redação...e ele sempre respondia com um sorriso.
Eu tive o prazer de ser escolhida por ele para dividir algumas reportagens. Uma delas sobre a talidomida, um medicamento usado anos atrás para combater enjoos em mulheres grávidas e que provocou problemas em alguns recém-nascidos. Ele escreveu o texto principal e eu fiquei encarregada do personagem. Encontrei um homem sem braços, vítima do remédio."Dividi uma página com o Hirao", pensava orgulhosa.
Quando fui chamada para ser editora no Notícias Populares fiz questão de contar ao Hirao. Lembro até hoje dele me dizendo..."mas o NP está acabando".  Hirao estava preocupado com meu futuro profissional. Eu respondi: "mas eu não aguento mais trabalhar 12 horas por dia". Essa era minha carga horária e eu já estava exausta. Ele entendeu minha angústia, sorriu e me desejou boa sorte. Não esperava nada diferente. Obrigada, Hirao, por dividir seu conhecimento comigo. Vai fazer falta para o bom jornalismo.