quinta-feira, 23 de abril de 2015

O morto que não estava morto....

A cobertura era um assalto a um ônibus num bairro da zona oeste de São Paulo. Todos os dias era eu quem subia no helicóptero da emissora para passar as informações do alto. Falava de trânsito, tempo, manifestações, comemorações, acidentes e crimes como neste dia.
Lá de cima, eu falava no microfone o que o olho enxergava. Algumas informações vinham da produção. O que tínhamos era pouco: bandidos invadiram um ônibus em determinado ponto final da viação. Não tínhamos informações de feridos e nem sobre quantos homens e vitimas estaríam dentro do coletivo. A polícia tentava retirar as pessoas de lá.
Ao lado do coletivo, no ponto de ônibus, um homem deitado no chão. Não sabia se estava ferido, morto, Apenas narrava o que via. Um homem deitado no chão durante toda a ação da polícia. Lembro até hoje que ele estava de calça jeans e blusa azul claro. 
De baixo, a produção me informava que outras emissoras também citavam o homem deitado, sem saber o que havia acontecido com ele.
Enfim, o assalto terminou, ninguém ferido, bandidos presos. Lá de cima, olho pra baixo e vejo que o homem não está mais deitado no chão. "Cadê o homem", perguntávamos no helicóptero. Do switcher, a mesma pergunta. "Gente, cadê o corpo? O corpo sumiu", diziam.  
O que aconteceu... 
Depois, descobrimos.... o homem com medo, acho melhor fingir que estava morto. Ficou deitado ali com olhos fechados e sem se mexer durante todo o tempo!
Quando tudo terminou e ele achou seguro, levantou e saiu andando tranquilamente...

terça-feira, 24 de março de 2015

Os filhos das mães

Diz o ditado que mãe é tudo igual. É nada... e tenho provas! Nos últimos dias entrevistei várias pessoas. Precisava encontrar personagens para um vídeo em homenagem às mães. 
Tive o prazer de chegar até uma professora universitária que mora em São Paulo. A mãe ficou em Salvador. Trabalhou com costura a vida toda e com os filhos já criados, aos 50 anos decidiu estudar design de moda. E é ela quem faz as roupas que a filha usa no dia a dia. Eu vi uma blusa, e achei linda! É desta forma que a filha mata a saudade. A ideia do vídeo era o filho ou filha ligar e falar algo que emocionasse a mãe. Quando era jovem, houve uma peça de teatro na escola. E foi a mãe quem costurou todas as roupas do elenco. "Eu acordava a noite e ouvia o barulho da máquina de costura. Minha mãe passou noites em claro para conseguir entregar tudo", me contou. Eu perguntei... será que sua mãe sabe que isso foi tão importante pra você? Se não sabia, agora sabe... A minha personagem disse isso durante a homenagem.
Mais... A mãe que não teve escolha: sem escola boa na cidade onde morava em Minas Gerais teve que mandar os dois filhos para um internato. A dor deve ter sido imensa. Hoje os filhos fazem faculdade em São Paulo e ela sempre que pode vem pra cá. Quando não pode....manda presentes pelo correio e sempre com bilhetinhos carinhosos. 
A mãe do jogador de basquete juntou dinheiro com sacrifício para comprar a bola que o filho, ainda criança, tanto sonhava. Na volta pra casa, bateu o carro. Mas ela estava tão feliz com o presente que nem ligou para o prejuízo. O filho tem mais de 40 anos, mas até hoje não esquece do gesto. E essa mesma mãe fez um grupo no watts app com todos os filhos. E é a primeira a dar bom dia!
Tem mãe que foi atrás de um novo amor depois de ficar viúva e deixou a filha de oito anos com os avós, em Minas Gerais.A filha quis ficar e ela respeitou. Até hoje, a jovem de 22 anos passa todas as férias com a mãe, mas continua morando longe dela, já que fez faculdade em São Paulo. Você tem mágoa, perguntei. "Nenhuma. Minha mãe é mãe do jeito dela. Ela quer ser feliz, e eu entendo."
Em olha esse depoimento.... A mãe que ficou viúva quando a filha tinha 3 anos de idade. A minha personagem, hoje com 40 anos, lembra de acordar de madrugada quando criança e ver a mãe na cozinha fazendo as contas. O orçamento era apertado. E com os olhos marejados minha personagem me disse: "Muitas vezes só tinha carne para uma de nós e era sempre pra mim. Ela sempre abriu mão do que havia de melhor pra me proporcionar isso,"
E assim seguiu a pesquisa, uma história mais forte e linda que a outra. Ou melhor, todas foram especiais, cada uma do seu jeito, assim como as mães.