quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Respeita minha história

Respeita a minha história! Esse é meu slogan, adotado ja algum tempo. Cheguei aos 27 anos de profissão, 27 anos de jornalismo, a maior parte na reportagem. Tudo começou la em 1995, terceiro ano de faculdade. Meu primeiro emprego na área. 
Nunca mais parei. Ainda bem! Costumo dizer que tenho uma carreira abençoada. Fui dispensada algumas vezes, mas sempre me levanto. Não desisto do meu sonho, sim, o sonho de menina em ser repórter de tv. 
Chego em 2022 realizada. Faço o que gosto, sou remunerada por isso e ainda apareço na tv...rsrs...
Só que a diferença agora é que as coisas saem mais fáceis. Não, não baixei a guarda na checagem de informações. Continuo com mesmo rigor de sempre, pra tentar não errar. Só que agora o texto sai mais fácil, as sacadas surgem mais rapidamente na cabeça. E continuo com o mesmo prazer de antes. Não tenho preguiça pra trabalhar. Outro dia na tv, falei. Ai que preguiça... uma colega cinegrafista de estúdio me disse: vc com preguiça? Respondi... é verdade, essa não sou eu. 
A cada reportagem vivo uma aventura, um novo papo, uma nova amizade, nova risada, novo conhecimento (agora no agro principalmente), tenho uma nova história para contar. E que delícia poder fazer isso todo dia! Agradeço ao universo por esses 27 anos. Não é pra qualquer um. Não foi tudo um paraíso, mas na dificuldade, na raiva, no desânimo, na decepção, eu pensava no sonho da menina... vou deixar de fazer o que gosto por causa dos outros? Não... 
Outro dia postei uma foto no Instagram de tempos atrás, um amigo do início da carreira, hoje já em outra profissão, me disse: vc é guerreira, não desistiu mesmo. Respondi, não, eu não desisto. Por isso, sempre digo, respeita minha história!  

domingo, 28 de novembro de 2021

Deadline do Agora SP

Esta é a última edição do Agora SP. O recado tá ali no canto direito no alto da capa. Uma história que ajudei a construir há 22 anos.

Trabalhei lá entre 1998 e 2000. Fiz parte da equipe que participou da criação do jornal (antes, Folha da Tarde). Alguns domingos fora do plantão para fazer os pilotos do Agora SP. O nome era guardado a sete chaves. A gente só sabia que viria um novo jornal por aí.

Durante dois anos trabalhei doze horas por dia, inclusive fim de semana. Sexta-feira era dia de pescoção, ficar até de madrugada pra fechar o jornal de domingo. Era exaustivo. Mas tava começando a carreira, então, vamos lá!

Fiz muitas e muitas reportagens. Cobri as grandes missas do Padre Marcelo. Fui eu que revelei que o padre precisaria entregar o galpão onde celebrava as missas e ficaria um tempo sem lugar para receber tantos fieis.  Também cobri chacinas. A primeira com 12 mortes. Nem sabia por onde começar, mas encarei. 

Cobri o tiroteio no shopping, o rapaz que atirou nas pessoas que estavam no cinema. Trabalhei também no caso do maníaco do parque. Estava lá na coletiva  (sim acreditem, coletiva!) quando ele foi preso.

Acordei de madrugada para muitas manifestações, greve de ônibus, greve de metrô, enchentes, reportagens sobre comércio ambulante, acidentes de trânsito, entrevistei minha dupla querida - Zezé e Luciano- muitas e muitas vezes. Outro dia o Zezé me disse que lembrava de mim novinha com bloco na mão anotando o que ele falava...foi pelo Agora que cobri o primeiro dvd ao vivo da dupla. 

E tudo isso numa época que celular não era acessível. Eu não tinha. Usava o orelhão para falar com a redação.

Era um jornal acessível, preço baixo. O cobrador do ônibus que eu pegava pra chegar na Folha, na rua Barão de Limeira, lia o jornal todo dia. Mas nunca falei que trabalhava lá. De vez em quando espiava pra ver se ele tava lendo a minha reportagem. Sim, estava. Ficava toda orgulhosa.

Pena que esta história termina hoje, 28 de novembro de 2021. Deadline do Agora SP.


*Deadline é uma expressão usada no jornalismo para definir o prazo final que temos para entregar uma reportagem.