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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ela só queria uma boneca...

Eu aguardava uma entrevistada numa clínica de psicologia quando me chamou a atenção a conversa entre uma funcionária e uma menina, de uns 5 anos de idade.
A funcionária perguntou o que ela havia ganhado do papai noel. A menina, com olhar triste, respondeu: "o papai noel não apareceu na minha casa. Eu não ganhei nada de natal."
"Nada?" perguntou a funcionária.
"Não, não ganhei nada.... Eu queria uma Barbie, mas ele não me deu", disse.
Assim como eu, a funcionária ficou um tanto mexida com aquela resposta e passou a tentar explicar os motivos que levaram o papai noel a não aparecer na casa dela.
Sem acreditar no que havia acabado de ouvir fui até uma senhora que estava com a menina (o filho dessa senhora iria passar na clínica). Esta mulher cuidava da criança enquanto o pai trabalhava.
Perguntei se era verdade a história e ela confirmou. A menina realmente ficou sem presente de natal. Não ganhou nada de ninguém. Perguntei se a família não tinha condições. Ela respondeu que até teria, já que o pai tinha emprego. Da mãe, não ganhou brinquedo porque o homem não autorizava, já que estavam brigados.
Doía o coração imaginar o triste natal dessa menina e a carinha de decepção ao acordar e encontrar a árvore de natal - se é que havia uma em casa - vazia.
E ela só queria uma boneca...

domingo, 18 de dezembro de 2011

A criança e a coxa do peru

Teve um 25 de dezembro que passei com a família Ota. Os pais do menino Ives, que foi assassinado por um segurança, organizaram um almoço natalino para famílias carentes da Vila Formosa, bairro onde moravam, na zona leste de São Paulo. Foi uma festa para centenas de pessoas. Almoço bem feito. E para as crianças, presentes. Muitos presentes. Foi um dia muito alegre. Casal gentil, os jornalistas também foram convidados a almoçar.
Em outro Natal fui cobrir a distribuição de brinquedos e almoço para famílias de Osasco, na Grande São Paulo. A festa era oferecida por um empresário da cidade. As pessoas eram simples, traziam tigelas, panelas, qualquer travessa que coubesse a comida. Para muita gente era a única refeição do Natal, a chance de comer algo diferente, especial. Lembro até hoje da expressão alegre de uma menino, que se deliciava com a coxa do peru...Tive a impressão de que ele nunca havia comido algo tão gostoso.
Em outro ano, trabalhei dia 24, à noite. Eu e a fotógrafa acompanhamos um empresário distribuir presentes pelas ruas de São Paulo vestido de Papai Noel. O que mais me chamou a atenção foi perceber que isso é muito comum na véspera de Natal. As pessoas ficavam embaixo dos viadutos, pontes, nas esquinas esperando os papais noéis chegarem... Sabiam que eles iriam aparecer...E a maioria já estava rodeada de presentes! Que bom!
Depois de acompanhar o empresário, cada uma seguiu para a ceia com a família... mas à meia-noite nos encontramos de novo, para cobrir a tradicional missa do Galo, na Catedral da Sé. Natais diferentes, mas especiais. Eu gosto dessas experiências...
Em 2011, estou de plantão...no Natal!