Esta semana fiz cobertura do julgamento do caso Eloá, a jovem de 15 anos, que foi morta pelo namorado. A imprensa toda estava lá em frente ao Fórum de Santo André, na Grande São Paulo. Tv, rádio, impresso, internet. No fim do dia eu chegava exausta em casa. Parecia que um caminhão tinha passado por cima de mim. Nas entrevistas, todos, inclusive eu, se aglomeravam nas grades para conseguir a melhor imagem, a melhor foto, o melhor som. Um ou outro colega ainda segurava o microfone ou gravador do colega que estava mais distante. Mas no geral, o que observei foi muita selvageria. Sim, essa é a palavra. Colegas tentavam roubar entrevistados de quem estava ao vivo. Como assim????? Além da ética profissional, onde está a educação que a mãe ensinou? Acho que foi por água abaixo.
Barracas e guarda sol determinavam o espaço das mídias. Uma empresa contratou seguranças que olhavam torto para quem passava pelo "espaço" dela. (isso porque só eram profissionais de comunicação). Outra chegou a colocar um cartaz avisando que ali era espaço "só" para eles.
Esse tipo de cobertura já é exaustiva pelos dias e horas que passamos ali. Isso sem contar o sol escaldante e a falta de lugar pra sentar. Correr atrás da informação, sair na frente da notícia é uma coisa. Ser mal educado....
Ah, vale o registro. Um rapaz de um site fazia a cobertura sozinho. Sem estrutura, contou com ajuda da mãe, que durante os quatro dias levou marmita para o filho na hora do almoço. Eu vi!! Mãe é mãe...
sábado, 18 de fevereiro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
23 horas de trabalho
Foi numa sexta-feira de 1999. Trabalhava no jornal Agora São Paulo. Eu entrei às 8h da manhã, meu horário na época. Sete horas da noite eu ainda estava lá... fechava uma matéria especial para a edição de domingo. Em jornais impressos é comum o jornalista trabalhar até de madrugada para adiantar o fim de semana. É o chamado pescoção. Mas como eu havia entrado cedo, no máximo 1h estaria dispensada.
Sonho meu... O editor me informa, umas oito da noite, que o diretor de redação decidiu de última hora cobrir a eleição do rei e rainha do carnaval de São Paulo e ele, editor, queria que eu fosse.
Retruquei afirmando que a festa iria até de madrugada, eu ficaria muitas horas trabalhando direto. O editor respondeu inocentemente que "não, a festa só vai até 1h, no máximo".
Pois é, não foi. A festa terminou tarde, muito tarde. Foi legal a cobertura, gostei da experiência inédita, mas estava exausta. As baterias das escolas de samba tocavam e eu lá tirando uma soneca nas poltronas do Anhembi. O resultado só saiu lá pelas 4h da madrugada.
Entrevistei os vencedores e segui para o jornal. Peguei meu carro e fui pra casa. À tarde, fui para o jornal. E o mesmo editor que me mandou fazer a matéria estava lá de plantão. Entrei, escrevi o texto e me mandei, já que era meu fim de semana livre. Ao editor, só disse uma frase: eu trabalhei por 23 horas seguidas. Ah, ele me de uma folga depois...
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